
“Nada? Nem adoçante?”, perguntou espantada. “Nada, nunca usei açúcar nessas coisas, não fui habituada”. “Ai mas deve custar muito, não poder pôr açúcar… e bebe o chá mesmo azedo? Coitada, a dieta custa muito…”
Ao fim de um breve diálogo, desisti. Porquê? Porque ela nunca iria acreditar que eu não uso açúcar por gosto próprio. Procurava uma dieta, uma doença, uma qualquer explicação. “Mas a sua mãe não lhe punha açúcar no leite?”. “Não.” “Coitadinha, ficava triste, não ficava?” uuuuuufffff
Isto fez-me pensar numa coisa: avaliamos o esforço dos outros a partir do nosso próprio esforço. Para muita gente em dieta, o facto de eu nunca ter bebido chá com açúcar (excepto de limão, nas constipações) é algo difícil de acreditar. Acham sempre que tenho uma grande força de vontade e tal. Mentira, claro! Como pode ser esforço algo que aprendi em bebé??? Aliás: como raio se põe açúcar no chá, não me explicam? Hum??? Então a ideia não é apreciar o aroma e paladar da planta???
A mesma coisa vale para a natação. “ah, que disciplina, ir nadar às 8 da manhã!”. Balelas, claro. Eu adoro nadar, a minha paixão pela natação é muito anterior aos problemas de peso! Ainda por cima, faço parte daquele grupo odiado de pessoas que acordam bem dispostas e que se animam ao mínimo raio de sol.
Agora: ponham-me numa esteira aí às 8 da noite… ou naquelas máquinas que simulam remo, ou ski, ou lá que é, que eu nem sei usar… Aqui o “modelo de disciplina” mostraria o quão preguiçosa, sonolenta e descoordenada consegue ser.
É tudo uma questão de perspectiva!
A minha mãe nunca pôs açúcar no meu leite ou chá, na salada de fruta… bolos só em épocas festivas, essas coisas. Por isso enjoo facilmente com a maioria dos doces. O meu paladar não foi “programado” para querer cada vez mais doce. Gosto bastante de alguns doces, mas diria que 80 % me passam completamente ao lado.
Recolher louros por coisas que dependem da educação que tive e não de um esforço pessoal, parece-me injusto.
Eu gosto mesmo é de comida “a sério”. O meu problema não é esforçar-me para não comer um pacote de biscoitos. Eu luto é para não ir comer a sopa de feijão, o arroz solto de tomate, o esparguete com molho, a batata a murro… Petiscos? queijo, azeitonas, pão... nham nham
Só me considerarei livre da gula no dia em que for capaz de olhar para uma posta à Mirandesa e pensar “que horror, quero algo mais leve!” . Tá bem, abelha… continua a sonhar!
Resumindo: descubram os vossos pontos fortes e trabalhem os fracos. Isto demora mas resulta!